O que os alunos pensam sobre o EAD

Por Communicare

O ensino remoto é a solução para que escolas e universidade não fiquem paradas. Entretanto, para os alunos, além do estudo, é necessário driblar a desmotivação e problemas de conexão

Por Isabella Vaconcelos

A pandemia causada pelo novo coronavírus suspendeu as aulas presenciais em escolas e universidades de todo o Brasil. Assim, como alternativa para a crise, essas instituições começaram a passar suas atividades, principalmente, por meio da internet. Contudo, o ensino remoto na prática ainda traz muitas questões para os alunos, como o acesso e funcionamento da internet, interação com alunos e professores e a qualidade do ensino.

Acesso à Internet e conexão

O início do EAD, por necessidade e não por opção, levanta muitas questões. Afinal, alunos e professores não estavam preparados já que o ensino remoto tem outro ritmo do presencial. Dessa forma, exige, além dos materiais, mais disciplina e organização.

A aula do IFTM campus Uberlândia Ana Luiza de Castro (17 anos), está cursando o 2º ano do EM junto com o técnico de suporte e manutenção em informática. Ela conta que está tendo aulas desde EAD desde 18 de março e, particularmente, a internet não é um problema para ela. Contudo, alguns colegas não têm acesso adequado, o que torna complicado acompanhar o curso técnico.

“Eu sou bem privilegiada em questão de internet. Nesse tempo só teve duas vezes que minha internet caiu e mesmo assim não foi o dia inteiro. Então, eu consegui realizar as atividades sem problema. Contudo, eu sei que muitos colegas meus não tem.”, afirmou a estudante. Na instituição que Ana Luiza estuda foi realizada uma pesquisa entre 31 alunos, no qual 13 afirmaram não ter computador.

Além do acesso aos equipamentos, a conexão também é um problema. Mesmo com o melhor pacote de Internet, a conexão não é totalmente confiável. Mesmo assim, alguns professores não são compreensíveis a respeito da falta de presença e participação por problemas de conexão. A estudante de medicina veterinária da Universidade Estadual de Maringá, Sarah Araújo dos Santos (18 anos), está assistindo as aulas a um mês e já enfrentou problemas de conexão.

“Já aconteceu da minha internet falhar, cortando tudo que o professor falou e eu não consegui entender nada. Muitos professores não aceitam quando o aluno tem problemas de conexão e marcam falta.”, contou a estudante de veterinária.

Interação e aprendizagem

O início do EAD por necessidade e não por opção, levanta também a questão do preparo, tanto de alunos como de professores. Afinal, o ensino remoto tem um ritmo diferente do presencial. Dessa forma, não basta inscrever-se em uma aula presencial e ministrá-la via plataforma on-line.

Uma pesquisa da Datafolha realizada entre 11 e 20 de junho deste ano mostrou que quanto maior o contato dos estudantes com os professores, mais eles se dedicam aos estudos. Sendo assim, principalmente para alunos do Ensino Médio, que tem uma relação mais pessoal com colegas e professores, as aulas on-line tiram essa intimidade do ensino.

A estudante Marcela Albuquerque (17 anos) está cursando o 3º ano do ensino médio na cidade de São Paulo, em uma instituição privada, e relatou que no ensino remoto esse contato com alunos e professores diminuiu, refletindo muito na sua aprendizagem.

“O EAD não funciona pra mim. Eu preciso estar na sala de aula com os alunos e professores junto comigo. Assim posso conversar e me sinto mais à vontade para tirar minha duvidas com os professores. Sinto falta até de pedir para ir ao banheiro e o professor não autorizar.”

Aliás, os alunos do ensino superior também sentem falta de interação com o professor. “No virtual não tem como interagir diretamente com o professor. É diferente esclarecer a dúvida pessoalmente e esclarecer a dúvida via internet. O professor não consegue ver se você realmente entendeu ou não, e você não consegue se expressar direito.” declarou Sarah.

A pesquisa também mostrou que além da falta de equipamento, acesso a internet e dificuldade com conteúdo, a falta de interesse é um dos principais motivos para os alunos não fazerem as atividades em casa.

A aula no IFTM, Ana Luiza, contou que não só em relação aos alunos, mas os professores também se sentem desmotivados com as aulas remotas. “A minha principal preocupação é em relação a motivação. É muito diferente comparar a minha motivação no começo da quarentena com agora.”

Benefícios

Apesar disso, o EAD traz alguns benefícios. Sarah contou que agora todos os professores passam slides nas aulas e alguns deixam as aulas gravadas. Então, ela consegue revisar o conteúdo quantas vezes quiser.

Já para a Marcela, o lado bom do EAD é conseguir se organizar com mais calma para a aula. “Eu não preciso levantar correndo, me arrumar correndo ou me estressar com o trânsito parado de São Paulo para chegar na aula às 7 horas.”