‘Disney+’: lançamento, balcanização dos streamings e recepção dos internautas

Por Communicare

A chegada do serviço de streaming da Disney gerou expectativa e novos debates no meio audiovisual e entre os possíveis consumidores

Por Julia Barduco

O streaming contará com filmes, séries e outros conteúdos de Disney, Pixar, Marvel, Star Wars, National Geographic e mais | Imagem: Divulgação

A Disney confirmou, no último mês, a data de lançamento de seu serviço de streaming para o dia 17 de novembro no Brasil e em outros países da América Latina.

Os valores do serviço ainda não foram divulgados, mas na quinta (8) o presidente da Walt Disney Company para a América Latina, Diego Lerner, em entrevista à revista Veja, afirmou que o serviço vai “estar na faixa de menor preço do Netflix (atualmente R$ 21,90), porque queremos uma penetração massiva no Brasil”.

A companhia vem apostando alto na América Latina, no fim de agosto, foi divulgado que a companhia abandonaria a produção de mídia física por aqui, uma vez que o contrato de distribuição que havia entre ela e a Cinecolor termina esse ano e não será renovado.

Outra ação foi a retirada dos títulos de serviços como a iTunes Store e a AppleTV, assim como impedir a exibição de seus títulos na TV paga e, é claro, nos outros streamings como a Netflix e o Prime. Tais medidas visam que os consumidores sejam forçados a assinar o streaming para consumir os produtos da marca.

Os rivais do serviço no Brasil

Netflix, Amazon Prime e Globoplay são exemplos de grandes rivais do serviço da Disney no Brasil | Imagem: Glenn Casters-Peters

Apesar de ser nomeado pela mídia como o grande rival da Netflix no Brasil, o Disney+ ainda tem dois outros grandes rivais por aqui. A Globoplay foi apontada, na quinta (8), por um levantamento feito pelo pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Murillo Dias, como o maior serviço de streaming do país em número de assinantes, com um total de 20 milhões de usuários. A Netflix aparece em segundo lugar no ranking, com 17 milhões de usuários e o Amazon Prime Video chega em terceiro, com 10 milhões.

Vale ressaltar que a plataforma do Grupo Globo permite o acesso de usuários assinantes e não assinantes, sendo que não foram divulgadas a relação entre pagantes e não-pagantes do serviço. Ao passo que o Prime foi o serviço que mais cresceu no primeiro semestre de 2020, sendo apontado por pesquisa do guia Just Watch como detentor de 23% do mercado.

A guerra dos streamings e a pirataria

A chegada do Disney+ no território brasileiro e as medidas tomadas pela companhia para recebê-lo ainda levanta outra questão importante: a guerra entre os streamings poderia causar um novo aumento na pirataria?

Desde que contratos de exclusividade passaram a ditar as regras sobre os serviços, discussões calorosas vêm entrando em pauta: de um lado, os que afirmam que a balcanização do streaming audiovisual poderá custar caro para todas as empresas do meio lá na frente na forma do retorno da pirataria, uma vez que o usuário não tem como pagar por todos os serviços disponíveis no mercado; de outro lado, uma visão mais promissora: a de quê a utilização dos streamings pode guiar novos padrões de consumo entre os usuários, especialmente com a diminuição do mercado de TV paga.

A opinião dos consumidores

A Criativa entrevistou dois internautas que contaram suas pretensões para assinar o serviço e suas opiniões a respeito das medidas tomadas pela empresa.

Jhonatan Azevedo, estudante de Ciências da Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) que vai assinar o serviço. “O conteúdo da Disney tem uma influência muito grande na minha vida. O serviço já anunciou filmes e séries que prometem altíssima qualidade, por um preço dentro do meu orçamento”.

Jhonatan também afirmou que acredita que a consequência da balcanização dos streamings não é tão binária quanto a discussão que ocorre na internet faz acreditar. “Eu consigo enxergar pontos que atrapalham e pontos que colaboram com a pirataria. O consumidor é obrigado a escolher uma parte para aproveitar, a maneira que ele tem de consumir todo o conteúdo é através da pirataria. Mas, a pirataria não é algo tão simples, as pessoas que não são familiarizadas com tecnologia”.

Já para Lucas Amâncio, estudante de Jornalismo da Universidade Paulista (UNIP), o grande número de serviços disponíveis é muito prejudicial ao consumidor final. “Não pretendo assinar o serviço. Pra mim, o streaming só funciona por possuir um conteúdo diversificado em uma única plataforma”.

A respeito da pirataria, Lucas afirma que acredita que a guerra entre os streamings contribui para o aumento da pirataria, uma vez que o consumidor não vai pagar todos os serviços disponíveis apenas para consumir um conteúdo e, mesmo com dificuldades de utilizar meios ilegais, essa ainda é uma forma mais viável para consumir todos os produtos.