Styling em Emily em Paris: Clichê ou démodé?

Por Communicare

Croissants, selfies e moda. Nada como uma comédia romântica e uma bela boina para despertar polêmicas sobre os looks – nem tão – atuais de “Emily em Paris”.

Maria Eduarda Marrama

Imagem: reprodução/ Netflix

Lançada em 2 de outubro e criada por Darren Star (o responsável por Sex and The City) a nova produção da Netflix conta a história de Emily (Lily Collins), uma jovem estadunidense que se muda para a França com o objetivo de trazer uma “visão americana” para uma empresa de marketing, mesmo sem saber nada da língua estrangeira.

Porém, apesar da trama não girar em torno da moda, os cenários, caracterizações e, principalmente, o nome da styling Patricia Field – responsável também pelo memorável O Diabo Veste Prada – atraiu o olhar pesado dos críticos para o visual recheado de nostalgia.

E é nesse ponto que se encontra o principal problema: em uma série produzida em 2020, retratando uma digital influencer na cidade da alta-costura, a protagonista parece ter saído direto de uma temporada de Gossip Girl, no auge de 2010. Com claras referências aos grandes clássicos, não há um consenso se o visual démodé é uma sátira ou um erro levado pelos sucessos do passado. 

Ambas as personagens, Blair de “Gossip Girl” e Emily de “Emily em Paris” possuem looks parecidos, apostando em boinas e combinações de estampas, características marcantes dos anos 2010 (Reprodução/Netflix)

Os fãs recém conquistados, por exemplo, defendem que os modelos coloridos e exagerados de Emily refletem a personalidade da própria personagem: uma jovem turista que não conhece nada sobre Paris exceto o que viu em filmes, e por isso, age e se veste como se estivesse prestes a esbarrar em Miranda Priestly, segurando um croissant de chocolate em uma mão e uma bolsa Chanel na outra.

Ajuda a defender essa visão também o fato de que a composição visual de outras personas nativas da França, como a chefe Sylvie, é visivelmente mais refinada e condizente com o período atual. 

Bem, independente disso, o importante é: as roupas, sejam elas clichê ou démodé, são o sonho de consumo de toda garota. 

COMPOSIÇÃO DOS LOOKS

É possível dizer então que o guarda-roupa de Emily é um tesouro inestimável em tecidos de luxo. Sem saber direito de onde vem tanto dinheiro, vemos no decorrer da série a protagonista usar somente do melhor: Chanel, Marc Jacobs, Dior, Louboutin, Vivienne Westwood, dentre várias outras marcas de grife. 

Em relação ao seu estilo pessoal, é possível notar o uso de texturas bem extravagantes, cores vívidas e o máximo de exagero possível. As tendências dos anos 2000-2012 são a essência de grande parte do figurino, desde os sobretudos coloridos e boinas até os conjuntos xadrez e os bucket hats.

(Imagens: Reprodução/Netflix)

O primeiro look, por exemplo, parece ter saído diretamente do corpo da personagem Andy de “O Diabo Veste Prada”. Ele tem tudo: desde um conjunto de blazer e short xadrez da grife Veronica Beard e saltos Louboutin, até uma bolsa Chanel e a característica boina vermelha do estereótipo francês.

Enquanto isso, neste segundo, a combinação de estampas distintas, um sobretudo verde e um lenço no pescoço compõe um visual divertido e chamativo que demonstra uma experimentação no ramo da moda.

(Imagens: Reprodução/Netflix)

Seguindo a linha de roupas de Emily, é impossível não lembrar dos eventos de gala e dos vestidos mais marcantes de toda a série: o magnífico vestido branco de Stéphane Rolland – que roubou toda a cena durante o episódio em que foi apresentado -, e a peça refinada feita por Christian Siriano, um ombro a ombro que homenageia Cinderela em Paris, o clássico interpretado por Audrey Hepburn. Esse último look – é importante ressaltar – se torna ainda mais sofisticado com os acessórios delicados, que dão o toque preciso para a composição.

Visual de mangas bufantes da personagem Camille (Imagem: Reprodução/Netflix)   Personagens Sylvie e Julien, de “Emily em Paris” (Imagem: Reprodução/Netflix)

Entretanto, depois de conhecer o visual estereotipado da protagonista, é um alívio ver que as roupas da melhor amiga francesa vêm para quebrar a teoria de que tudo na série tende ao exagerado clichê francês. A jovem Camille (Camille Razat) possui um visual elegante e refinado, que tende entre o contemporâneo e o rebelde. Sua marca registrada: as mangas bufantes, coturnos, alfaiataria e jaquetas despojadas.

Enquanto isso, ainda é possível observar o bom gosto para moda no escritório de Marketing de Emily; a chefe, Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu), se veste como a típica mulher poderosa de negócios, com vestidos midi de silhueta marcada e formatos assimétricos. Já o colega de trabalho Julien (Samuel Arnold) tende a combinações mais ousadas e chocantes que combinam perfeitamente com o personagem sem ser cafona.

Enfim, em meio às várias controvérsias que rondam a série, é preciso destacar que é inegável a evolução da identidade visual de Emily no decorrer da trama. Sem abandonar necessariamente o vestuário chamativo, colorido e a tendência de misturar várias texturas, as roupas deixam de lado algumas características estereotipadas para dar espaço para composições modernas e atuais, deixando claro como o estilo acompanhou o amadurecimento dela na história. No fim, nos resta apenas aguardar uma nova temporada para comentar novos looks de uma série que já cativou um enorme público – e várias polêmicas.

Evolução visual da má combinação de estampas e modelos para um visual acinturado e estiloso.  (Imagem: Reprodução/Netflix)