Vacina contra o vírus Covid-19: solução para a pandemia?

Por Communicare

O coronavírus, a politização da vacina e a população brasileira frente à pandemia. 

Por Maria Eugênia

Nos últimos meses, discussões sobre o desenvolvimento de uma possível vacina contra o Covid-19 se alastrou em todo o planeta, fomentando debates, contestações e até mesmo impasses governamentais e disputas políticas. 

Uma das vacinas mais promissoras é a CoronaVac, desenvolvida pela empresa farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan (centro de pesquisa biológica adjacente ao campus Cidade Universitária da Universidade de São Paulo). 

No Brasil, foi feita uma pesquisa com 9 mil voluntários da área de saúde que tomaram duas doses do medicamento, e 65% desse grupo de pessoas não apresentaram efeitos colaterais ou reações graves. A fase de testes também foi bem sucedida na China.

Contudo, mesmo com esse cenário auspicioso, conflitos e polêmicas envolvendo a vacina anti-covid têm repercutido entre autoridades do governo brasileiro, com destaque para o presidente da república, que se contrapôs a compra do medicamento pelo governo de São Paulo.

A oposição do presidente da república à CoronaVac 

No dia 20 de outubro, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. E, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, e o Brasil sendo um dos países mais afetados, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou contrário a essa decisão.

“Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém(…)” afirmou o presidente.

Apesar da interdição do presidente, a Anvisa ( Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou a compra inicial de 6 milhões de doses da CoronaVac e tudo indica que a concessão para a produção das outras 40 milhões não terá impedimentos. Tendo em vista que ao longo de seu governo Bolsonaro mostrou seu radicalismo ideológico inúmeras vezes. Em contestação à decisão do presidente, o governador de São Paulo João Doria, com quem o presidente vem contrapondo ideias desde o início da pandemia, afirmou: “Não é ideologia, não é política, não é processo eleitoral que salva, é a vacina”. 

Governador de São Paulo João Doria e Presidente da República Jair Bolsonaro ( FOTO: Reprodução/site https://bit.ly/32aVjKB )


A Vacina é obrigatória?

 Um dos principais questionamentos e dúvidas acerca deste tão esperado método de combate ao coronavírus é se ele será legalmente mandatório De um lado do “confronto”, as pessoas que defendem a saúde coletiva e, do outro lado, aquelas que defendem a liberdade individual de escolha.

A deliberação do presidente é que a vacina contra o covid não seja obrigatória sob nenhuma circunstância. Mas, em contraposição, o presidente ratificou uma lei criada no início de 2020 que permite a aplicabilidade de vacinação compulsória pelos Estados e municípios. 

O Ministério da Saúde por sua vez, comunicou em nota que “O Governo Federal oferecerá a vacinação de forma segura, mas não recomendará sua obrigatoriedade aos gestores locais – respeitando o direito individual de cada brasileiro”

A população brasileira e a vacinação

Pesquisas feitas por pesquisadores norte-americanos e europeus apontam que o Brasil é o segundo país que teria a vacina anticovid mais aceita pela população. (para mais informações clique aqui.).

Mesmo que esse ap indique que maior parte dos brasileiros não são refratários à vacina anti covid, não é novidade dizer que nosso país tem um repertório histórico marcado pela relutância da população à vacinação.

Um dos primeiros exemplos de resistência da população às vacinas no Brasil ocorreu em 1904, quando o médico Oswaldo Cruz liderou campanhas de saneamento para controlar doenças como a varíola e a febre amarela e, para isso, a vacinação tornou-se obrigatória. Todavia, devido à falta de informação, houve uma rebelião dos cidadãos à essa exigência e ao governo, dando origem à famosa “Revolta da vacina”. Mas não é preciso voltar muito no tempo. Em 2018,  uma onda de fake news sobre esse método de imunização se espalhou nas redes sociais, o que resultou na queda dos números de vacinação no país, implantando uma ameaça à saúde dos brasileiros.

E hoje a realidade não é muito adversa. Disseminação de informações falsas e manipuladas têm sido frequentes na pandemia, principalmente neste período de desenvolvimento das vacinas contra o coronavírus. O posicionamento negacionista do presidente da república pode ser determinante para o aumento da oposição à vacinação no país.

Contudo, ainda há muita esperança na confiabilidade do brasileiro nas vacinas. Em entrevista para a GloboNews, o médico Drauzio Varella relatou seu otimismo: “Os brasileiros confiam nas vacinas. Temos o maior programa de vacinação do mundo aqui no Brasil.(…) Quando as vacinas estiverem disponíveis, é fazer campanha, explicar para as pessoas porque elas devem tomar vacina para tentar convencer esse pequeno grupo que ainda coloca a utilização da vacina em dúvida” afirmou o profissional da saúde. ( para mais informações clique aqui. ).

E você? Qual sua visão sobre a necessidade da vacina e seu método de aplicação? Deixe sua opinião aqui nos comentários.