A ascensão feminina no Trap

Por Communicare

 Conheça algumas artistas que conquistaram a fama como trappers.

 Foto: Reprodução/ YouTube [ Ebony – Love song ]

Por: Maria Eugênia Matos

É provável que você já tenha escutado ou ao menos ouvido falar de “Trap”, um gênero musical que tem feito muito sucesso nos últimos anos. A popularidade do gênero emergiu de modo tão preeminente que até mesmo influenciou o surgimento de um “lifestyle” e de tendências de estilos baseados na estética trapper, que se disseminou entre os jovens no Brasil.

Com uma identidade sonora marcada por uma multiplicidade de ritmos e batidas que se incorporam em uma única composição, o Trap é considerado por muitos uma mistura de rap e música eletrônica, com outros elementos instrumentais e efeitos especiais, como distorção de voz.

História 

O trap despontou pela primeira vez na década de 1990 no sul do Estados Unidos, mas foi somente no início dos anos 2000 que ele começou a crescer efetivamente e ganhar popularidade no Brasil. 

O subgênero têm raízes descendentes do rap e do hip hop, estilos que nasceram como manifestações artísticas de rua que buscavam,  através da música, enfrentar diversos problemas de ordem social ligados, principalmente, a comunidade negra.

Apesar de ser muito associado à aspectos negativos, como agressividade  e vulgaridade, o trap carrega críticas sociais em suas letras e manifesta-se como uma expressão das lutas da população negra.

Mulheres no Trap 

Mesmo sendo um estilo musical que aborda questões sociais representativas, a esfera do trap ainda é predominantemente masculina. 

Contudo, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço no universo trapper, incluindo pautas femininas, principalmente, das mulheres negras, nessa vertente musical. Muitas artistas estão dando o que falar e conquistando o público em todo o país. Conheça alguma delas e um pouco de sua história:  

EBONY 

Com 19 anos e com sua carreira profissional iniciada muito recentemente, Ebony é um dos nomes femininos que ganhou uma notoriedade incrível. Envolvida com arte e música desde criança, ela foi uma das  primeiras mulheres a produzir trap no Brasil. Começou despretensiosamente, produzindo sua música por conta própria e fazendo as edições em um aplicativo de celular. Ao publicar seu trabalho, Ebony não esperava o reconhecimento e a fama que ela obteve, e hoje é um dos nomes mais conhecidos do meio. 

A artista compôs singles como “Glossy”, “XOXO”, “Facetime” e fez parcerias com outros trappers notórios. Ebony enxerga no trap uma forma de expressar as opressões diárias das minorias, e por isso ela inclui pautas voltadas para o empoderamento negro e feminino em suas letras. 

 Foto: Reprodução/ Instagram (@baddiebony)

MC Taya 

Pós-graduada em Marketing de Moda a artista começa sua carreira como influencer digital, onde ela conquista seu primeiro alcance na internet. Por muito tempo a artista usou das redes sociais para disseminar seu discurso militante enquanto mulher negra periférica. Hoje com 25 anos, a MC atua no mundo da música, onde ela foi alcançando mais reconhecimento. Além disso, a cantora também conta com seu próprio canal de YouTube, publicando conteúdos voltado para sua carreira e para assuntos  diversos como moda, cabelos, entretenimento e outros. 

Em “Preta Patrícia”, seu primeiro single e um dos mais famosos de sua carreira, Mc Taya conta um pouco de sua história e retrata temáticas voltadas para ascensão de mulheres  negras, para auto aceitação e para luta de classes, mostrando-se uma ativista resistente na causa negra e feminista. 

 Foto: Reprodução/ Instagram (@mctaya)

ONNIKA 

Da mesma forma que Ebony, o sucesso de Onnika também foi “acidental”. A artista não esperava o sucesso que alcançou ao publicar  nas redes sociais seu primeiro single  “AYO BIH”, que hoje já tem mais de tem mais de 230 mil visualizações. Onnika ( nome inspirado na rapper americana Nicki Minaj ) começou a cantar com 7 anos, e inicialmente tinha intenção de ser uma cantora de R&B, mas acabou indo em direção ao trap, onde a jovem conquistou seu sucesso. Também envolvida na luta pelas minorias, Onnika usa suas letras e redes sociais para combater discursos racistas e machistas. 

 Foto: Reprodução/ Instagram (@souonnika)

A ascensão dessas jovens mulheres pretas no trap é extremamente importante para impulsionar a representatividade feminina negra no âmbito musical. Sem dúvidas elas são inspiração para inúmeras meninas que querem seguir o ramo.

 A estudante de Jornalismo (e fã de Trap), Lauryn Fonseca, como uma mulher negra, ressalta a dimensão que essa representatividade no trap carrega: “A partir de cantoras como a Onnika, a Ebony e a MC Taya, nós somos incentivadas a manifestar e a manter nossa autoestima, porque nas letras elas falam sobre riqueza, empoderamento, sobre aceitação do próprio corpo, sobre lutar contra o sistema e enxergar sua própria beleza […] É sobre se empoderar da sua própria cultura, valorizar seus traços e a cor da sua pele, primeiramente você mesma. E nas letras elas trazem isso, o amor próprio e o reconhecimento da mulher preta importante que você é.afirma. 

“Quando a MC Taya fala de ‘Preta Patrícia’, que é seu principal hit, não é só sobre dinheiro, é sobre você se olhar no espelho e falar eu posso, eu sou, eu vou conquistar e vou chegar lá!. Quando a Ebony faz referência a Cardi B, por exemplo, que é uma mulher preta rica, ela também incentiva esse discurso de empoderamento, assim como também muitas outras artistas do trap.” completa a estudante.