A pandemia através das objetivas

Por Communicare

Por Gabriel Reis

 Com áreas externas limitadas e distanciamento social, fotógrafos encontram na quarentena inspiração e necessidade de se reinventar

Foto do ensaio “obs-cu-ra” feita na sala do idealizador Bruno Alencastro onde ele usou da técnica da “câmera obscura” para fundir a paisagem externa com o ambiente interno.

Foto do ensaio “obs-cu-ra” feita na sala do idealizador Bruno Alencastro onde ele usou da técnica da “câmera obscura” para fundir a paisagem externa com o ambiente interno.

 Através das lentes, as câmeras fotográficas registram as transformações decorrentes da pandemia ocasionada pela COVID-19 e propõem reflexões acerca de como a sociedade tem enfrentado esse fato histórico. 

 Fotógrafos de todo o mundo vêm criando projetos artísticos que representam das mais diversas formas os estágios vividos durante a quarentena. Desde o primeiro momento com o “lockdown”, os estoques de álcool em gel, as novas maneiras de manter contato social mesmo distantes uns dos outros e até a reabertura dos bares e comércios. Tudo se tornou arte através das objetivas. 

Nova perspectiva 

Registro por Fernanda Torquatto, escolhido para a Exposição “Minas Arte em Casa: 300 anos de Minas Gerais” e para o livro “300 anos em um: Reflexões do Tricentenário de Minas”

Inspirados não somente pela nova condição imposta pela pandemia, tanto os fotógrafos profissionais quanto aqueles que levam a atividade como hobby, tiveram que se reinventar e encontrar alternativas para manter os cliques. 

 A professora universitária, assessora de imprensa e fotógrafa de dança, Fernanda Torquatto, que ministra aulas de fotojornalismo na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), afirma que no início do ano era responsável por registrar as aulas do Projeto Pé de Moleque/Ballet Vórtice e produzir um informativo mensal.

 Com o distanciamento social, as aulas foram transferidas para o ambiente digital e a professora Torquatto já não poderia fazer as fotos presencialmente. 

 Mesmo em meio a situação de afastamento do projeto, Fernanda afirma que a pandemia não foi totalmente negativa: 

“Bailarinos de Uberlândia que dançam em companhias do exterior voltaram ao Brasil e eu pude fotografá-los. Fiz ensaios em uma galeria no centro de Uberlândia, onde todas as lojas estão fechadas e uma das fotos foi escolhida para fazer parte da exposição “Minas Arte em Casa: 300 anos de Minas Gerais” e do livro “300 anos em um: Reflexões do Tricentenário de Minas”.”

Necessidade de se reinventar

 Movidos pela vontade de ir além em 2020, muitos profissionais do ramo investiram em melhoria de equipamentos no início do ano, contudo, surpreendidos pelo Coronavírus tiveram de recorrer a outras estratégias. 

 Isso ocorreu com o fotógrafo e profissional de marketing Alexandre Oliveira (@aleolivie), que viu suas demandas para fotografar em festas chegar a zero mensais. 

Registro feito por ALE

 Segundo Ale, por mais que a pandemia tenha tirado muitas oportunidades de trabalho na fotografia, ele pôde se redescobrir profissionalmente, assumindo a área de marketing do Grupo Luta Pela Vida.

“A pandemia não só inspirou meu trabalho, ela mudou totalmente minha visão da fotografia e me mostrou ainda que posso captar momentos e eterniza-los de diversas maneiras.” Finaliza Alexandre.

Foto: @aleolivie