Em meio à forte crise econômica, nova geração de consoles chegam ao Brasil

Por Communicare

O país é um dos 13 maiores em ranking mundial no mercado de games

Por Juliana Kopp

Desde que criados, os games movimentam em grande escala um mercado próprio. Hoje, diferente da década de 60, as batalhas tomam rumos milionários e o reconhecimento de jogos eletrônicos como esportes reforça ainda mais a presença dessa nova modalidade no dia a dia de muitas pessoas ao redor do mundo. A estimativa é de que os games são parte da vida de 40% da população mundial, de acordo com a pesquisa da DFC Intelligence.

Homem joga vídeo game em uma festival de games
Games são parte da vida de 3,1 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Foto: Getty Images

Em 2020, o Brasil enfrenta uma crise econômica. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e que serve como parâmetro para a economia, reduziu em 1,5% no começo do ano, sendo esse o pior resultado desde 2015. Além disso, o poder de compra das famílias foi afetado com a combinação de desemprego, diminuição dos salários e maiores endividamentos, resultando em um recuo do consumo em 2%, de acordo com o IBGE, que reforça que o consumo das famílias influencia em 65% do PIB. Outro dado relevante é a diminuição das exportações de produtos brasileiros em contrapartida às importações, que vem aumentando.

Esses fatores, aliados à alta do dólar, aumentam a dificuldade de muitos brasileiros em adquirirem os produtos de alta tecnologia que vêm sendo lançados em 2020. Por isso, muito se discute os altos preços da nova geração de consoles que chegam ao Brasil, o que proporciona um entretenimento poderoso, mas a poucos brasileiros.

A nova geração de consoles no mundo é representada pelos lançamentos de videogames da Microsoft, com os Xbox Series S e X, e da Sony, com o Playstation 5.

Mas por que os preços dos novos consoles são tão altos no Brasil?

Pesquisas da Brasil Game Show apontam que à medida que novas gerações de games e eletrônicos são lançadas, as versões anteriores passam a ser mais populares entre os brasileiros, que aproveitam a redução dos preços.

Os preços elevados devem-se principalmente à carga tributária de videogames, que por aqui é uma das mais caras do mundo, ainda que tenha sido reduzida no último ano. No entanto, os impostos não referem-se apenas à importação. São ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias a Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), COFINS (Contribuição para Financiamento de Seguridade Social) e PIS (Programa de Integração Social). Por isso, os consoles podem chegar no Brasil com acréscimo de até 72% de seu valor original.

Por outro lado, considerando a cultura dos games que vem movimentando o país, no mês de Novembro, com as promoções da Black Friday, os produtos mais aguardados eram justamente os videogames e eletrônicos. Muito disso se deve à intensa campanha de marketing das empresas para que esse consumo seja maior, ainda que com o preço elevado.

Xbox One S ao lado de um refrigerador semelhante ao video game
Após viralização dos memes que comparavam o novo Xbox Series X a uma geladeira, Microsoft entrou na brincadeira do Twitter e criou um refrigerador real. Foto: Divulgação/Microsoft

Soma-se a isso, o fato de que desde sempre as novidades despertaram a curiosidade e a vontade de atualizar as ferramentas, seja de trabalho ou entretenimento. Hoje, isso ocorre mais ainda, principalmente àquelas pessoas que tornaram os games, muito mais do que lazer, mas parte de sua rotina.