MAIS DO QUE ANIMAÇÕES, OS ANIMES TÊM DEIXADO UMA MENSAGEM DE IMPACTO

Por Communicare

Com modelos de produções fora do tradicional, os animes têm impactado seus telespectadores para além do imaginário e fantasia

Por: Gabriel Magalhães

Foto: Reprodução

Os animes fizeram parte de uma geração inteira, com histórias envolventes, personagens marcantes e com um enredo forte capaz de prender qualquer pessoa por horas. Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z, são eternos cases de sucessos que abriram portas para as novas produções, sem cair no esquecimento. Seja pelas memórias afetivas que tais produções nos deixaram, como também pelas trilhas sonoras incríveis.

Desde então, os animes e mangás sempre alcançaram números notáveis ao redor do mundo, mas nunca foram tão populares mundialmente como agora. Em 2020 o filme do anime ‘Kimetsu No Yaiba’: Demon Slayer: Mugen Train, registrou a maior bilheteria global do ano, batendo recordes dentro do seu nicho e arrecadando aproximadamente 500 milhões de dólares naquele ano.

No Brasil desde os anos 90, a animação japonesa, devido suas características únicas fazem parte do cotidiano de muitas crianças e jovens-adultos, trazendo uma jornada interessante que prende qualquer um ao roteiro. Inclusive, segundo um mapa realizado pela Netflix, que aponta o consumo de animes ao redor no mundo, o Brasil ocupa o 4° lugar no ranking de maior audiência, atrás apenas da China, Índia e Indonésia. Além de mostrar que mais da metade dos seus 200 milhões de assinantes já consumiram algum produto desse nicho.

Mas o que as animações orientais, especificamente japonesas, possuem para seduzir, além de um roteiro animador, de maneira impactante um público tão heterogêneo? Para essa pergunta existem várias respostas e iremos passar por algumas delas aqui. 

Primeiramente, é necessário ressaltar que mesmo existindo animes para todas as idades e gostos, a faixa etária dos consumidores de animes e mangás representa em sua maioria adolescentes e jovens adultos. Nesse sentido, alguns dos animes mais vistos tratam sobre episódios e relações que nos deparamos dentro de casa, na escola e no trabalho. Essa característica provoca empatia do público.

Por exemplo, culturalmente jovens japoneses que se destacam de alguma forma física ou intelectual sofrem bullying. Existe um perigoso Kotowaza – provérbio japonês – que diz: “ O prego que se destaca é martelado para baixo”, essa pressão combinada com a cobrança familiar para tirar boas notas e se destacar, almejando um futuro próspero acabam deixando confusas as mentes desses jovens, os entristecendo e os revoltando. Olhando por esse lado, conseguimos entender parcialmente o alto índice de suício no país.

Porém, nos animes e mangás o oposto acontece. Nesse mundo ideal que passa nas telinhas e páginas, àqueles que se destacam costumam ser respeitados, suas individualidades são admiradas e existe um senso protetor quando alguém tenta “martelar” o outro para baixo. Ou seja, nesse universo existe uma versão idealizada do mundo real.

Os jovens japoneses não são os únicos no mundo que passam por esses problemas. Logo, faz todo o sentido que pessoas do mundo inteiro se identifiquem e se apaixonem por esses universos e personagens. É o caso do estudante de Relações Internacionais  Matheus Araujo, 25, “ Eu já assistia clássicos como Naruto quando criança e na adolescência, mas foi depois que entrei na faculdade que comecei a acompanhar mais. Na época estava passando por uma depressão e como distração voltei a assistir alguns animes e ler mangás e desde então não parei mais – isso faz 5 anos”, comenta. 

Fica claro que o consumo dessas produções, tão distintas das que normalmente a maioria se interessa, é além do que apenas uma animação, podemos enxergar um processo de se empoderar perante tantas adversidades.  Essa jornada do herói que muito se vê, colabora para idealizar novas perspectivas e até mesmo formas mais humanizadas e reais de se enxergar o outro. Os animes propõe um diálogo direto com seus telespectadores, já que a identificação gerada, é o que torna ele um ícone mundial, pois por si só, representa um ecossistema inteiro.  

É o que ressalta o jovem Douglas Silva, 24: “Os animes fazem parte de muitas infâncias e adolescências. Eu não perdia nenhum episódio e até hoje é assim, desde produções mais nostálgicas às atuais. Seja pela ação exagerada, quase psicodélica, pelos personagens carismáticos e marcantes, pela caracterização e estilo de animação. (…) Sem contar a identificação, os protagonistas, mesmo tendo dons surreais, lidam com problemas reais, bem gente como a gente, o que acaba falando diretamente com o público e nos prendendo cada vez mais, a cada episódio”, diz.

Assim como Matheus e Douglas,  milhares  de pessoas ao redor do mundo utilizam o ambiente mental proporcionado pelos animes como uma forma de se ajudar, de lidar melhor com a realidade. Faz sentido, em um mundo em que temos que nos provar a todo momento, lidando com desafios e obstáculos, porque não nos espelhar nos protagonistas dessas obras? Por que não nos inspirar em suas histórias? E talvez assim perceber que apesar de todas as dificuldades, nós também vamos conseguir ser protagonistas de nossas próprias jornadas. 

Correção: Janaina Bernardino