Cinco motivos para assistir (e amar) “Pacificador”

Por Communicare

Já dizia o ditado: O que é bom tem que ser compartilhado. E se você sente falta de uma série com todos os velhos elementos e exageros das histórias de heróis, precisa conhecer Peacemaker.

Por Thuanne Santos

Os personagens de “Pacificador”

Foto: Reprodução HBO Max

O primeiro trimestre de 2022 está sendo um evento para a plataforma HBO Max.Pois, além de bater recordes com Euphoria (2019), entre janeiro e fevereiro alçou voos de audiência com “ Pacificador”. A série criada pelo aclamado roteirista e diretor James Gunn (“Guardiões da Galáxia I e II’ e “O Esquadrão Suicida”) é focada em  uma das figuras mais controversas do catálogo da DC: Christopher Smith, o Pacificador (John Cena). Suas ações retrógradas e pensamentos preconceituosos são os elementos catalisadores da atenção do público.

Na trama, que se passa alguns meses após os acontecimentos de O Esquadrão Suicida (2021), acompanhamos o Pacificador após ser convocado por Amanda Waller (Viola Davis) a se juntar a outros agentes inexperientes, para cumprir uma misteriosa operação sob a alcunha de conseguir sua liberdade após o término da ação.

E por mais que há quem discorde, uma coisa é certa: o seriado se sobressai em muitos aspectos se comparado a outros  do gênero. Neste artigo te apresento cinco (dos muitos)  motivos que fazem valer a pena assistir a produção “de milhões” da DC.

1. A abertura

“Do ya really wanna, Do ya really wanna taste it?”

Foto: Reprodução blog Mix de Séries.

Não tem como falar do Pacificador sem citar sua abertura icônica! A coreografia diferente e contagiante, com todos os atores caracterizados como seus personagens dançando com posturas sérias e até meio robóticas, não podia ter outro efeito senão o de ser memorável.

Segundo a coreógrafa responsável pelo número musical Charissa Barton, em entrevista disponível na TecMundo, a cena foi influenciada por vários tipos de dança e “possui um estilo único, apelidado de “Groove do Pacificador”, […] para retratar a comédia, ação e drama presente no seriado.”

De acordo com Márcio Sallem, crítico de cinema, a cena de abertura é um dos pontos altos da série, caracterizando seu conteúdo bem humorado e violento a partir da canção “Do Ya Wanna Taste It” da banda Wig Wan. 

O elemento musical presente nas obras de James Gunn, criador e diretor da série, tornou-se um componente indispensável em seus trabalhos como bem podemos observar neste e em vários outros projetos, como Guardiões da Galáxia (2014/2017) e O Esquadrão Suicida (2021). O próprio, depois da cena inicial, compartilhou na sua conta do Twitter sua visão sobre a abertura:

“Nenhuma história de super-herói está completa sem uma sequência de dança”.

Foto: Tecmundo.

2. A direção

   A influência de James Gunn no sucesso da série é inegável, mas para falar sobre isso é necessário olhar para trás. Em 2016, no auge da corrida presidencial nos Estados Unidos, o nome de Gunn foi envolvido em uma polêmica ao ter Tweets antigos divulgados na mídia. O conteúdo dos tweets envolvia falas controversas do diretor que na época, se defendeu dizendo que as publicações já haviam sido esclarecidas e, novamente, pediu desculpas. Acontece que a polêmica só surgiu porque James Gunn era um opositor fervoroso de Donald Trump, que no período, concorria ao cargo de presidente nas eleições americanas. 

   Com o cerco armado, os seguidores de Trump provocaram a demissão de Gunn da Disney, empresa que ele trabalhava dirigindo e roteirizando o sucesso Guardiões da Galáxia (2014), da Marvel. E foi esse o caminho que o levou para Warner  e ao, finalmente, Pacificador. 

    Para o crítico de cinema e dono do instagram Cinema com Crítica (@cinemacomcritica), Márcio Sallem, o papel de James Gunn na série e a experiência que o motivou a criá-la são primordiais, “primeiro porque [ele] é quem planejou esta versão da personagem desde O Esquadrão Suicida. Segundo porque dirigiu a maioria dos 8 episódios da temporada, além de os ter escrito e atuado como showrunner – a pessoa que administra as muitas cabeças pensantes na série.”

Em “Pacificador”, Sallem ressalta que o diretor continua “algo que começou em Guardiões da Galáxia, embora com violência reduzida em face ao requisito da Marvel/Disney. Ainda assim, [o seriado] tem um quê de originalidade em meio às produções do gênero.” Para o site Estação Nerd, Gunn “[…] é um dos melhores diretores e roteiristas da atualidade, com uma escrita provocante e repleta de exageros […].”

3. Personagens e enredos sem medo do rídiculo

Cena de “treino” entre o Pacificador e o Vigilante

Foto: Reprodução HBO Max

O Pacificador é uma sátira de tudo que consideramos tóxico e sua desconexão com a realidade é a principal parte de seu caráter. Essa poderia ser a receita de um péssimo enredo se não fosse o talento de Gunn, de acordo com Sallem, em mostrar para o público que aquilo  “que chamaríamos de monstro não necessariamente é mais monstruoso do que a ação humana.” Sem dúvidas, a escolha por John Cena para viver o Pacificador é o norte da série que encontra no humor politicamente incorreto uma maneira de expor o drama existencial do personagem. 

Mas diferente de outras séries centradas apenas na evolução do protagonista, o seriado consegue desenvolver muito bem todo o elenco e a essa construção se deve boa parte do carisma de Peacemaker. Harcourt (Jennifer Holland), Economos (Steve Agee), Murn (Chukwudi Iwuji), Adebayo (Danielle Brooks) e  The Crew (Freddie Stroma) são o elenco de apoio, dos sonhos, que seguram a série através de personagens bem definidos e caracterizados, possibilitando a flexibilização na composição que podemos perceber no conforto com o qual os atores conseguem atuar.  

Mas, com um enredo satírico, protagonista e elenco carismáticos, o que realmente diferencia a série de tantas outras? Para Márcio Sallem, a série “se diferencia por adotar uma linguagem de sátira em meio à violência com classificação indicativa adulta, rindo do próprio gênero em que se insere desde a cena de abertura quando os personagens dançam, com semblante sério, ao som de uma música tosca.”

4. Os efeitos especiais

Eagly, o melhor amigo do Pacificador

Foto: Reprodução HBO Max

SIM: a águia é feita por meio de computação gráfica, e a qualidade deixa qualquer ser vivente em choque! Os efeitos especiais para produzir este único, e essencial, personagem possuem um realismo incrível. Mas a ideia original, segundo Gunn, era utilizar uma águia de verdade, contudo, com o animal não se acostumando com o set de gravações foi cogitado pelo estúdio a inserção da águia por CGI. E apesar de ser apenas uma produção gráfica, Eagly rouba a atenção em quase todas as suas aparições em cena. 

Os efeitos especiais, a fotografia e o design de produção são elementos que contribuem para a imersão do público na história. Segundo Alexandre Fuzaro, fã da série, as “cenas e efeitos [do Pacificador] são melhores que as séries da The CW”, emissora que produziu outras séries baseadas nos quadrinhos da DC, como Arrow (2012-2020) e The Flash (2014-).

5. Her´óis voltando a ser heróis

O protagonista e anti-herói Pacificador

Foto: Reprodução HBO Max

Talvez a qualidade mais apreciada do Pacificador seja a capacidade de rir de si mesma e subverter o gênero no qual ela mesma se consagra. Não se levar tão a sério, assumindo uma abordagem satírica e violenta em um universo heroico com consequências reais, retira das convenções do gênero seu atual dualismo: ou muito “colorida” em que os heróis lidam de maneira apática as consequências, ou muito “escuro” em que a violência é o centro.

O universo sanguinário criado para a série resulta em sequências absurdas, críticas escancaradas e a associação, de maneira explícita, de atos preconceituosos e hipocrisias fundamentalistas com a ignorância e idiotice do Pacificador.   

Logo, James Gunn encontra no Pacificador o espaço em que não precisa agradar às tradições, devolvendo seus heróis ao universo lúdico, lugar que sempre pertenceram. 

E convenhamos, depois desses cincos motivos, você já tem uma série para maratonar neste fim de semana, não é?