Magreza não é sinônimo de beleza, muito menos de saúde

Por Communicare

Como a idealização do “corpo ideal” leva as pessoas a buscarem se encaixar nos padrões de beleza a qualquer custo, resultando em problemas graves de saúde  

Por Vitória Marcelino

Mulher sentada com a mão no queixo

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

As problemáticas dos transtornos alimentares

Foto: Reprodução Folha Vitória

A busca por um padrão de beleza, na maior parte dos casos,inalcançável, está presente na sociedade mundial desde muito tempo Porém podem resultar em transtornos, os quais afetam os comportamentos alimentares e causando sérios problemas de saúde, tanto física quanto emocional prejudicando a maneira como a pessoa se enxerga e atua nas áreas de sua vida. No Brasil, a OMS confirmou que pelo menos 4,7% dos brasileiros sofrem com algum desses distúrbios, principalmente na adolescência. 

O mais famoso desses transtornos alimentares é a anorexia. No filme “O Mínimo para Viver” (2017), a protagonista Ellen sofre com esse distúrbio, que a impede de perceber o quanto está se cobrando em excesso, como estar sempre fazendo abdominais, apenas mastigando a comida, mas sem engolir, e correndo escondida para eliminar calorias; as quais está sempre contando.

No longa-metragem da Netflix, a anorexia é abordada como uma doença, a qual prejudica tanto o paciente quanto seus familiares e amigos, chamando a atenção para o problema, mas também apresentando uma possibilidade de recuperação. A produção é protagonizada pela atriz Lily Collins, que também tem um histórico de anorexia, tanto que o seu emagrecimento necessário para realizar as gravações foram acompanhadas todo tempo por médicos, para evitar uma recaída na doença.  

Pessoa posando para foto em frente a computador

Descrição gerada automaticamente

Cena do filme “O Mínimo para viver”

Foto: Reprodução Netflix

Afinal, o que são transtornos alimentares?

Os transtornos alimentares são patologias relacionadas a problemas com a alimentação. Na maioria dos casos, são causados pelo medo que alguém tem de engordar,tornando os hábitos alimentares dessas pessoas irregulares, por estarem insatisfeitas com sua aparência e sendo impulsionadas pela idealização de um corpo cada vez mais magro.

Essa expectativa foi construída na sociedade devido aos ideais de beleza, felicidade e sucesso que são associados à magreza, assim como ligados a ideia de saúde, contribuindo para que muitos acreditem que serão mais felizes se tiverem um corpo, considerado socialmente mais atraente. Porém,este ideal deturpado , na realidade, pode trazer várias consequências. 

Esses transtornos geralmente se desenvolvem na adolescência e no início da fase adulta, embora possam surgir em outras idades, assim como normalmente afetam mais mulheres do que homens, apesar de ninguém estar isento disso. O maior problema se cria, quando as pessoas passam a seguir dietas extremamente restritivas e sem qualquer acompanhamento profissional, é onde acaba se originando esses distúrbios.

Em conversa com a nutricionista Letícia Marcelino, formada pela Universidade Nove de Julho de São Paulo, a profissional explica: “Saúde não está associada a um corpo extremamente magro. Muitas vezes quando se priva de certos alimentos você pode estar negando ao seu corpo vitaminas, minerais e calorias que ele precisa para se manter em funcionamento”. 

Apesar de existirem vários casos diferentes desses problemas, os mais comuns são a anorexia e a bulimia. No primeiro a pessoa passa a ter uma visão distorcida de seu próprio corpo, levando-a a diminuir a alimentação ou parar de comer. Já no segundo a culpa por ter comido resulta em indução dos vômitos e/ou excesso de atividade física, a fim de compensar o que se comeu.

O papel das mídias nos distúrbios alimentares

As redes sociais têm um papel importante no surgimento desses transtornos, uma vez que muitos influenciadores que estão dentro dos padrões estéticos do corpo ideal, acabam tornando-se um gatilho para seus seguidores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que entre 10% dos jovens brasileiros, os principais usuários dessas redes, sofrem de algum distúrbio alimentar. Na verdade, historicamente esses modelos ganham forma e se difundem através dos meios de comunicação, veiculados com os tradicionais estereótipos de beleza socialmente aceitos e estimulados.  

Também muitas pessoas passaram a usar as redes sociais para propagar orientações e ideias erradas em relação a dietas “milagrosas” e meios de perder peso mais rápido e mais fácil, por exemplo, colocando alimentos como inimigos e sugerindo restrições como não consumir carboidratos, glúten, gorduras ou sódio, além de muitas vezes incentivarem o exagero durante a prática de exercício físicos, tudo isso sem nenhuma responsabilidade profissional. 

“Na internet nós encontramos de tudo, o maior problema é quando os influencers digitais mostram uma vida e um corpo que é inacessível para a grande maioria das pessoas. Mas se tratando de dietas, o mais válido sempre será recorrer a um profissional de nutrição, que é quem pode oferecer uma dieta saudável, calculada e específica para cada pessoa”, recomenda Letícia.

No Brasil, um exemplo da irresponsabilidade na abordagem de assuntos relacionados à alimentação, é a coach de emagrecimento Maíra Cardi. Em seus vídeos, normalmente suas falas são “precisamos emagrecer a mente” e “não podemos ser escravos do chocolate”, além de utilizar métodos que os profissionais formados condenam, como quando a influencer fez propaganda nas redes sociais sobre os supostos benefícios do jejum, afirmando ter ficado sete dias sem comer. 

“Qualquer coisa em excesso é problema. Acredito sim que todos devem buscar uma vida saudável, alimentação balanceada, atividade física, mas tudo com equilíbrio”, afirma a nutricionista.

Como se recuperar de um transtorno alimentar?

O maior desafio no tratamento dos transtornos alimentares é fazer com que a pessoa reconheça o problema e queira mudar. A maioria não quer renunciar às restrições alimentares auto impostas, porque não conseguem se sentir bem com o próprio corpo, apenas recorrendo a ajuda quando a doença alcança um estado mais grave.

O tratamento de qualquer distúrbio alimentar deve caminhar com o acompanhamento de um nutricionista, para que haja uma reeducação alimentar, assim como o apoio de um psicológico, em alguns casos mais graves até mesmo um psiquiatra pode ser necessário. “Eu acredito na reeducação alimentar, algo que obtém resultados e se ‘aprende’ a comer, a partir de uma dieta que você consiga manter na sua rotina”, afirmou Letícia. 

A reeducação alimentar serve para compreender melhor os efeitos da comida no corpo e na qualidade de vida, sem necessariamente restringir alimentos, além de fazer com que o paciente alcance um equilíbrio na alimentação diária, tendo menos chances de desenvolver doenças tanto mentais quanto físicas.

Mulher sentada em frente a mesa com comida

Descrição gerada automaticamente

Nutricionistas: os profissionais certos

Foto: Reprodução Prodiet