Com isolamento social, novelas voltam a ganhar um espaço importante na rotina do brasileiro

Por Communicare

A teledramaturgia, que apresentava queda de audiência, retomou sua preferência no cotidiano da população brasileira

Sarah Aguiar

O distanciamento, que teve início em março e segue até os dias atuais – com exceções de alguns serviços e cidades – colocou uma grande parte da população confinada em casa. Sem poder buscar entretenimento em locais públicos devido às aglomerações, hábitos como o de assistir novelas voltaram a fazer parte da rotina dos brasileiros.

Depois de paralisar a produção de suas novelas devido a proliferação do coronavírus, a TV Globo, figura comum entre as principais produtoras de telenovelas do mundo, teve que parar a produção de todos os programas, inclusive as gravações de novelas.

O canal de televisão optou por exibir “edições especiais” de novelas anteriores, como Fina Estampa (2011).

A trama que eternizou figuras como o “Pereirão” e “Crô” teve, em média, 32 pontos de audiência em seus primeiros capítulos, elevando em 4 pontos no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Os números são importantes porque dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública Brasileira (IBOPE) mostram que a emissora carioca vinha perdendo pontos de audiência de suas novelas.

A novela “O Sétimo Guardião”, estreada em novembro de 2018 no horário das 21h é um exemplo disso, e representou uma crise para a emissora, já que não ultrapassou os 29 pontos de média geral no Ibope. No comparativo com sua antecessora, “Segundo Sol” – que fechou com 33 pontos, a queda foi de quatro pontos.

Reclamações como “protagonistas apáticos”, “tramas sem suspense”, “escassez de humor” e “ritmo sonolento” começaram a surgir em diversos veículos especializados, como o portal Terra. 

Outra que não figurou bem na audiência foi “Espelho da Vida”, transmitida de setembro de 2018 a abril de 2019. A trama escrita por Elizabeth Jhin registrou o pior último capítulo desde 2016 e chegou a marcar a pior audiência para uma novela das 18h desde 1975, quando a sessão foi criada.últimos momentos de exibição, obtendo seu pico de 36,73 pontos durante a quarentena.

DESDE MUITO TEMPO

A produção de telenovelas no Brasil teve a sua primeira produção em 1951 pela TV Tupi. Ela contava apenas com dois dias de exibição e como não havia forma de gravar, tudo era feito ao vivo. 

A partir da década de 60 houve o início da era de sucesso das novelas. Elas finalmente ganham um horário nobre reservado e passam a ser transmitidas todos os dias da semana. Reunir a família e ver um episódio se torna parte da rotina e da cultura brasileira.

É o que relembra a microempresária Elaine Augusto de Aguiar de 50 anos de idade: “Eu me lembro de assistir novela com a minha mãe, com a minha tia. Na verdade, na minha geração, ver novela era um assunto comum, todo mundo via”, diz.

Ela também conta que mantém até hoje o hábito de ver novelas, não só através da TV aberta, mas também pelas plataformas de streaming.

Emissoras como a Globo também têm voltado seus esforços para outras plataformas como é o caso do Globoplay. Desde julho, o streaming vem liberado novelas antigas em seu catálogo e estreado séries exclusivas.