Artistas de rua reinventam a maneira de trabalhar durante a pandemia

Por Communicare

Entenda como a quarentena mudou a realidade de pessoas que precisam da movimentação nas cidades para se manter 

Por Fernanda Neves

Artista de rua chama a atenção do público enquanto se apresenta.
A arte de rua integra a rotina das cidades, com a pandemia milhares de artistas enfrentam dificuldades para continuar trabalhando. Foto: Banco de imagens /  S. Hermann & F. Richte

Músicos, atores, artesãos, grafiteiros, dançarinos, malabaristas e muitos outros artistas são responsáveis por colorir e levar cultura para diferentes pessoas que passam pelas ruas de uma determinada cidade. A arte de rua faz parte da cultura brasileira, sendo capaz de popularizar segmentos artísticos que ficavam restritos a locais privados. Com o início da pandemia provocada pelo novo coronavírus a circulação de indivíduos nas ruas diminuiu e esses profissionais perderam seu principal público e consumidor. 

Diante dessa nova realidade, a reinvenção passou a fazer parte da rotina desses artistas, que usaram a criatividade para continuar a comercialização dos seus produtos. A maior aliada nesse caminho é a internet, principalmente as redes sociais, que permite a divulgação das artes para um público diverso e auxilia nas vendas. 

O pré-pandemia

Os artistas utilizam espaços públicos como praças, semáforos, estações de metrô e ônibus para exibir e apresentar seu trabalho. A conversa e troca de experiências com quem passa nesses locais também faz parte da rotina desses profissionais. Além de comercializar os produtos, muitos artistas utilizam as ruas para criar suas artes, permitindo que o público conheça as etapas de produção manuais e entenda a complexidade do processo criativo. 

Uma imagem contendo circuito

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Artesanatos produzidos pelo projeto StArte expostos na Praça Cel. 
Luíz Alves no município Santa Bárbara d’Oeste no estado de São 
Paulo. Foto: Arquivo Pessoal.

Bruna e Guilherme Rodrigues, responsáveis pelo projeto StArte Bio Artesanato (@starte.a), produzem desenhos, pinturas e modelagens em materiais ecológicos. Antes da pandemia eles apresentavam suas artes nas ruas de Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba, municípios do estado de São Paulo. Também participavam de exposições solo ou coletivas em espaços que permitem essa possibilidade. “Em nosso meio de trabalho, quase sempre dependemos do espaço que a rua nos proporciona, pois os locais fixos se tornam inviáveis pelo alto custo e a competitividade com empresas maiores”, afirmam. 

Momento de reinvenção

Com o início da quarentena, em março deste ano, as vendas dos produtos dos artistas de rua diminuíram significativamente, já que os consumidores se isolaram em casa e as ruas se tornaram um local perigoso para continuar trabalhando. Bruna Rodrigues relata que ela e o companheiro tinham muitos planos e com o início da pandemia tiveram que cancelá-los, sendo difícil lidar com essa situação financeira e psicologicamente.

Eles começaram a aceitar encomendas por telefone e redes sociais, que se tornaram imprescindíveis nesse processo de reinvenção. Os artistas também enviam os produtos pelos Correios para clientes de outras cidades. Apesar de parecer uma boa solução, Bruna e Guilherme alegam que a diferença financeira é alta, o que se torna uma dificuldade para enfrentar esse momento.

Pessoas posando para foto

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Bruna e Guilherme relatam os principais desafios de retornar às ruas no momento 
de pandemia. Foto: Arquivo Pessoal.

O estado de São Paulo está na fase amarela de flexibilização, que permite a reabertura de diferentes tipos de serviços. Com isso, os artistas decidiram retornar as ruas, porém o medo de contaminação passou a integrar a rotina de trabalho. “As pessoas andam sem máscara, espirram e tossem sem proteger a face, nos cumprimentam sem cogitar que optamos pelo não contato, praticamente somos obrigados a passar por coisas que evitamos em todo tempo que ficamos de quarentena em casa”, relatam os idealizadores do projeto StArte Bio Artesanato. 

Os artistas precisam de segurança nas ruas para trabalhar e levar cultura para as pessoas nessa nova forma de vida que todos enfrentam. Para quem prefere ficar em casa e gosta de consumir arte uma boa dica é realizar encomendas através dos meios de contato. Em um momento de pandemia o ideal é que pessoas de diferentes segmentos trabalhistas se unam e se respeitem para que ninguém fique prejudicado e as cidades ainda possam exalar um pouco de normalidade.