O cinema de 2020: drive-in voltam ao entretenimento brasileiro

Por Communicare

Como o isolamento social trouxe de volta um lazer famoso nos anos 60 que é retratado em grandes clássicos do cinema


Por Juliana Kopp

O primeiro cinema conhecido como drive-i foi inaugurado no ano de 1933, em New Jersey, nos EUA. A proposta era a união do estacionamento à grande tela de cinema e alto-falantes capazes de levar o som dos filmes por todas as fileiras de carro. 

 Entre as décadas de 50 e 60, a novidade foi palco para o entretenimento de muitos jovens estadunidenses e até um cenário caricato da  cultura e do imaginário norte-americano para filmes como Grease – nos tempos da brilhantina. 

Em 1968, a ideia chega ao Brasil junto com a visão dessa mesma brilhantina. Os drive-in também tiveram o seu auge nessa época, mas não foi duradouro. Com isso, o que antes era um espetáculo de inovação tecnológica e status, passou a ter um visual retrô. 

2020, distanciamento social e o entretenimento

O cinema drive-in, neste ano, deixa de ser uma proposta vintage e passa a ser uma opção para amantes da arte. O motivo desse resgate foi o período de isolamento e distanciamento social, no qual, sem a possibilidade de assistir aos lançamentos nas poltronas tão juntinhas, na sala de cinema, fez-se necessária a adaptação do lazer e entretenimento.

As exibições ocorrem majoritariamente nas grandes capitais do país e vão além dos filmes. Com o desgaste das lives, estão sendo produzidos shows, inaugurações, transmissões de confrontos, clássicos do futebol etc em formato drive-in. Em questões técnicas, a novidade é a sintonização do rádio de cada carro ao som do filme, que antes era transmitido pelos alto-falantes. 

Arena Sessions, evento com shows drive-in em São Paulo, exibe Jota Quest. Foto: Divulgação

Apesar de uma atividade nostálgica para uns e experiência inédita para outros, a situação acabou evidenciando uma problemática ainda maior na questão do acesso ao cinema: devido às estruturas e exclusividades, o ingresso para a sessão chega a cerca de 100 reais por veículo durante as horas do filme ou um pouco mais, dependendo da política de cada drive-in

O acesso ao lazer, que já é dificultado para muitos brasileiros, no período de quarentena recebe um obstáculo a mais. Essa é uma desvantagem dos cinemas e shows em 2020. Além disso, alguns médicos, dizem que o evento não é indicado para os países que ainda estão com grandes taxas de contaminação pelo Covid-19. 

A vantagem é que, para quem tem acesso a esse tipo de lazer, o entretenimento é diferente do usual. É importante, no entanto, que sigam os protocolos sanitários para que o lazer de alguns não seja nocivo para outros.