Morre Quino, cartunista argentino e criador de Mafalda

Por Communicare

Cartunista de língua espanhola que deu vida a personagem Mafalda, uma menina questionadora e que aborda várias críticas sociais 

Por Isabella Vasconcelos 

(Foto: Europa Press via Getty Images)

Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, faleceu no dia 30 de setembro em Mendoza, na Argentina, aos 88 anos. Ele foi o cartunista de língua espanhola mais traduzido e mais internacional. Quina criou a personagem Mafalda, conhecida por levantar críticas sociais relacionadas ao racismo, política, valores humanos, meio-ambiente, etc. 

Estimulado por seu tio, desenhista gráfico, Joaquín Lavado já sabia o que queria fazer desde muito cedo. Por isso, começou os estudos na universidade de Cuyo e mesmo sem finalizar os estudos, Quino conseguiu absorver os conceitos de desenho e proporção. 

Contudo, sua saúde piorou nos anos 90, quando foi diagnosticado com glaucoma, passou por 6 cirurgias e em 2006 já não desenhava regularmente. Em sua última ida à Espanha, para receber o prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e

Humanidades em 2014, Quino já se deslocava em cadeiras de rodas e em 2019, estava quase cego. 

Quino ganhou grande popularidade por trazer críticas sociais de forma divertida e contribuiu muito para a formação de uma consciência coletiva, principalmente entre os jovens. Lucas Melo de Aguiar, cineasta de animação e chargista a cerca de 9 anos, comenta como isso faz do cartunista uma inspiração. 

“O cara transformou a charge política em algo pop, dividiu espaço com a Turma da Mônica em questão de formação política da juventude e na construção da consciência coletiva. Isso de forma muito divertida, o que não é comum, é algo realmente incrível.” 

(Foto: Manuel Cortina/Reuters)

 

 

Mafalda e sua importância educacional

Inicialmente Mafalda foi criada como personagem para propaganda de uma marca de eletrodomésticos em 1962. Sendo assim, o objetivo era fazer propagandas subliminares na forma de tirinhas em jornais. Contudo, o projeto não foi para frente e a personagem foi oferecida ao Diário Clarín, jornal de maior circulação na Argentina. 

Entretanto, o jornal cancelou o contrato após descobrir que Mafalda havia sido criada como uma ferramenta de Marketing e, foi somente em 1964, que a menina ganhou vida, quando a revista literária Leoplán publicou três tirinhas já produzidas. 

Mafalda foi criada no contexto histórico do Pós-Guerra-Fria. Desse modo, as tirinhas expressavam as ideias da menina sobre o mundo capitalista globalizado de maneira crítica e questionadora mas sem perder o humor. As tirinhas de Mafalda carregam uma importância educacional grande, sendo personagem recorrente em aulas e provas de Língua Portuguesa. “É um cara que deixou uma marca cravada na história dos quadrinhos. Sua obra não vai ter de ser velada jamais. Vai continuar viva e presente em provas de português por muitos anos ainda por vir.” comentou Lucas Melo sobre a morte do cartunista.