O mangá no Brasil e o mangaká brasileiro que busca difundir a cultura zen

Por Communicare

Como o mangá chegou no Brasil e o primeiro mangaká brasileiro, não descendente de japoneses, a trabalhar no Japão

Por Julia Barduco

O mercado de mangás é bilionário e equivale a grande parte da tiragem editorial do Japão. (Imagem: Michael Garcia/Divulgação)

Com toda a certeza você já ouviu falar dos mangás e mesmo que não se interesse muito por esse universo artístico, provavelmente tem um amigo que é fanático por ele. 

Os mangás representam um terço da tiragem editorial do Japão e, até 2010, eram um mercado que valia ¥406 bilhões, cerca de R$21 bilhões. 

Por aqui, eles chegaram na década de 1970, mas só começaram a fazer sucesso em 1994, com a chegada do anime “Os Cavaleiros do Zodíaco”, transmitido na TV Manchete

Desde então, inúmeros exemplares são lançados todos os meses, sendo possível encontrar centenas de histórias populares do outro lado do mundo, como Death Note, Hunter x Hunter, Bleach,  One Piece e outros.

Os Cavaleiros do Zodíaco foi sucesso na década de 90 e ganhou um remake na Netflix em 2018 (Imagem: Netflix/Divulgação)

Com o sucesso fora do Japão, mais e mais estrangeiros adquirem o sonho de se tornarem mangakás (escritores e desenhistas de mangás) populares no país. Existem vários brasileiros bem famosos e reconhecidos, como Yuu Kamiya, o primeiro brasileiro a publicar um mangá por uma editora japonesa, conhecido especialmente por seu light novel No Game, No Life.

Além de sucessos como Yuu, vários outros artistas brasileiros trabalham no Japão, como o Angelo Mokutan, o primeiro mangaká brasileiro não descendente de japoneses a atuar por lá. Ele já teve um de seus projetos, o Tudo Zen Quadrinhos, publicado em sete idiomas e recebeu, no ano passado, a honra de fazer parte da Seleção Oficial do Japan Media Arts Festival, por um outro trabalho, o Leonora, um mangá baseado na filosofia da Roma Antiga.

Mokutan tem também um blog onde transmite conhecimentos do Zen. (Imagem: Angelo Mokutan/Divulgação)

 

“Sempre gostei de desenhar e ler quadrinhos. Quando tinha 13 anos fiquei impressionado com Cavaleiros do Zodíaco, e comecei a querer trabalhar fazendo algo semelhante. O que me impressionou foi ser baseado na mitologia da Grécia Antiga. Era ótimo pesquisar e aprender sobre essa cultura, e fazer associações com o desenho animado.”

Um assunto muito pertinente para quem quer se tornar mangaká e não é japonês é quais as dificuldades enfrentadas no meio. “Acho que nunca sofri preconceito por ser um estrangeiro na área de mangás. Mas existe a dificuldade da língua japonesa, sou fluente mas não consigo escrever japonês em nível literário. Um editor ou um escritor nativos me ajudam.”

Seu atual trabalho, o Tudo Zen, busca difundir o conhecimento do Zen Budismo, que Mokutan acredita ser muito mais próximo à cultura brasileira do que pensamos.

“É uma filosofia muito prática e complementa a cultura brasileira em vários aspectos. Nos lembra de que boa parte do nosso destino está em nossas mãos. Fala das limitações da mente e avisa que ela não é tudo. Convida também a prestar atenção no presente, no aqui e no agora, e fazer tudo o que puder nesse momento. Quero transmitir essa sabedoria milenar através de quadrinhos interessantes e divertidos de se ler. Compartilhar conhecimentos que foram libertadores para mim e creio fortemente que podem ser para outras pessoas também.”

O mangaká teve seu primeiro contato com o Zen Budismo através de sua mãe, discípula do monge Tokuda. (Imagem: Angelo Mokutan/Divulgação)
O Tudo Zen ainda não tem versão em português, mas o mangaká está fazendo uma campanha para publicar uma edição em português, contendo quadrinhos inéditos. Confira, apoie e divulgue neste link